PF diz que Mendonça determinou ações 'sem autorização específica' contra Moraes; decisões causaram crise no tribunal

  • 03/09/2026
(Foto: Reprodução)
'Guerra que era interna agora está escancarada', diz Ana Flor sobre STF Em relatórios de inteligência enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) afirma que o ministro André Mendonça determinou ações de investigações contra Moraes "sem autorização específica" e "perante juízo que não detem a competência". Segundo a PF, Mendonça determinou que os policiais identificassem pessoas com prerrogativa de foro no STF nos materiais apreendidos com o banqueiro e fornecessem "a íntegra de todas as mensagens e interações existentes que envolvam as mesmas pessoas". Para a Polícia Federal, a determinação de Mendonça foi além da identificação – que apontou mensagens mencionando Moraes e o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, além de menções ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. "É ato de investigação amplo, dirigido a pessoas determinadas, produzido sem autorização específica e perante juízo que, quanto a duas delas, não detém a competência", diz o documento. André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão do Supremo em 2 de setembro de 2026 Antonio Augusto/STF Tratamento diferenciado Ainda no mesmo documento, a PF informou que em reuniões com investigadores, Mendonça questionou "expressamente sobre o que constava" em relação a Moraes "nos dados extraídos do aparelho celular de Daniel Bueno Vorcaro". Segundo o relatório, "não se descarta que informação sobre o conteúdo tenha sido transmitida ao gabinete por integrante da própria equipe de investigação, fora dos autos e sem conhecimento dos demais." Em outro ponto do relatório, em que elenca riscos decorrentes das decisões do ministro, a a PF aponta o que vê como a possibilidade de um "tratamento diferenciado entre autoridades de igual situação". O documento afirma que Mendonça denotava em seu discurso "interesse no início de investigação formal" contra Moraes, tendo inclusive "solicitado mais de uma vez que a equipe de investigação encaminhasse alguma provocação a ele nesse sentido". O documento compara a situação com a do ministro Dias Toffoli, contra o qual – segundo a PF – há "graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF" e que passava por uma "contemporização da parte do relator" [Mendonça]. Outro ministro mencionado no mesmo contexto pela PF é Kassio Nunes Masques, "em relação ao qual o relator apresenta postura abertamente defensiva, inclusive tendo sugerido em determinada oportunidade que a Polícia Federal deveria ficar atenta, pois eventuais imputações feitas contra o Ministro pela mídia poderiam ser uma estratégia para enfraquecer o Min. Andre Mendonça." "A diferença, se confirmada documentalmente, é indicador relevante", diz o documento. Em uma análise de risco sobre as decisões de Mendonça, a PF apontou que o risco de "nulidade ou questionamento futuro de atos praticados quanto a detentores de foro, por vício de competência" tinha probabilidade moderada e com um possível impacto "muito alto", que poderia inclusive "atingir a validade da apuração." Pedido de investigação Os relatórios foram mencionados pelo ministro Alexandre de Moraes no pedido de investigação contra Mendonça encaminhado por ele ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, nesta quinta-feira (3). No pedido, Moraes disse que há presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS. Na terça-feira (1), Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mendonça sugeriu na mesma decisão que os elementos constantes dos relatórios da PF sobre o caso fossem avaliados pelo plenário da Corte. Nesta quinta, Fachin deu 5 dias úteis para que Mendonça, Moraes, PGR e Polícia Federal prestem informações sobre todas as movimentações envolvendo o caso.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/03/pf-diz-que-mendonca-determinou-acoes-sem-autorizacao-especifica-contra-moraes-decisoes-causaram-crise-no-tribunal.ghtml


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