Pela porta da frente: como quadrilha descobriu brechas na segurança e furtou apartamentos de luxo em 8 estados

  • 30/08/2026
(Foto: Reprodução)
Como uma quadrilha driblou câmeras e reconhecimento facial para furtar condomínios de luxo pelo país Uma quadrilha itinerante percorreu diferentes estados do Brasil para furtar apartamentos de luxo. Segundo as investigações, os criminosos descobriram como burlar procedimentos de segurança de condomínios e, em alguns casos, conseguiram entrar pela porta da frente, sem precisar render funcionários ou moradores. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Em um dos casos, ocorrido em Porto Alegre, em 7 de março, uma mulher teve o rosto reconhecido pelo sistema de segurança do prédio. Um homem entrou logo atrás dela. Pouco depois, os dois deixaram o condomínio levando dinheiro em dólares e reais, talões de cheques, joias, bolsas de grife e até um casaco de pele. Em Belo Horizonte, em 27 de fevereiro, outro grupo conseguiu entrar no prédio sem hackear o sistema ou enganar as câmeras. Segundo a polícia, um dos suspeitos se passou por morador e ligou para a empresa de segurança. Ele alterou o cadastro, trocou o e-mail e colocou a própria foto no sistema. A partir daquele momento, para a câmera, ele aparecia como um morador. O homem entrou no condomínio acompanhado de outras duas pessoas. Um deles subiu pela escada, enquanto os outros ficaram no saguão tentando acessar o andar pelo elevador. Eles não conseguiram porque era necessária uma senha de acesso. Mesmo assim, permaneceram no local e se comunicaram pelo celular. Cerca de uma hora depois, os suspeitos saíram carregando uma mochila que não tinham quando chegaram. Mesmo carro apareceu em diferentes estados A polícia encontrou uma conexão entre casos registrados em diferentes estados. O mesmo carro alugado apareceu em Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. Em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, segundo as investigações, os criminosos conseguiram furtar os apartamentos. Em São Paulo, houve tentativa. Em todos esses casos, segundo a polícia, apareceu o mesmo homem: Vinícius Scarpari. A história de Vinícius começa na Zona Leste de São Paulo. É entre os bairros da Mooca e do Belém que ele e outros envolvidos teriam se conhecido. Segundo apuração do Fantástico, o nome de Vinícius aparece em pelo menos 30 boletins de ocorrência, quase sempre com diferentes comparsas. Os primeiros furtos identificados são de 2020 e tinham como alvo casas térreas. A partir de 2023, os criminosos passaram a mirar prédios de luxo. Segundo a investigação, o modelo de crime se espalhou por pelo menos outros sete estados. Como os criminosos escolhiam as vítimas Segundo a polícia, as redes sociais eram usadas para escolher as vítimas. Fotos com joias, roupas de grife, viagens e informações sobre a rotina poderiam revelar quem tinha dinheiro e também indicar quando a pessoa não estava em casa. Depois, vinha outra etapa: a busca por dados pessoais. Um delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que os criminosos conseguiam obter informações, muitas vezes, pela chamada Deep Web, inclusive comprando cadastros de atas condominiais. "Isso é muito ruim, porque eu consigo ter acesso a nomes do andar tal, do sétimo andar, do décimo andar", afirmou. Pela porta da frente: como quadrilha descobriu brechas na segurança e furtou apartamentos de luxo em 8 estados. Reprodução/TV Globo Suspeitos usavam brechas nos sistemas Em 25 de abril, Vinícius voltou a Porto Alegre acompanhado. Mais uma vez, segundo a investigação, a quadrilha encontrou uma brecha na confiança de quem operava remotamente o sistema de segurança. Em uma ligação, uma mulher se identificou como Maria, do apartamento 301, e pediu a liberação da entrada de uma suposta neta chamada Laura Rocha. No dia seguinte, outra mulher entrou no condomínio dizendo ser Laura, do apartamento 301. Ela já estava liberada e entrou acompanhada de Vinícius e outro homem. Os três subiram até o oitavo andar. Vinícius, usando luvas, vasculhou o apartamento. Na hora de sair, os criminosos tiveram dificuldade para transportar um cofre. Precisaram usar um carrinho de compras do próprio prédio. O cofre era tão pesado que tombou junto com o carrinho no saguão. Segundo as autoridades, foram levados mais de R$ 800 mil em armas, joias e dinheiro nesse furto. Vítimas relatam medo após invasões As vítimas dos furtos em Goiânia também relataram o impacto da ação da quadrilha. "Foi um sentimento muito ruim da gente passar. Não foi agradável, a gente está exposto a uma situação onde a gente achava que estava seguro", disse um dos moradores. Uma mulher contou que ela e os filhos ainda não conseguiram superar o episódio. "Meu filho não dorme mais no quarto dele, porque fala que tem ladrão. E ali era um lugar que a gente sempre falou que era seguro", afirmou. Em outro condomínio de Goiânia, dois homens se aproximaram a pé, entraram no prédio e subiram até um apartamento. Um deles era Vinícius. Os dois deixaram o local com uma mochila. Em outro endereço, Vinícius apareceu novamente acompanhado de Renata Palermo, que já havia participado do primeiro furto em Porto Alegre. Os dois subiram pelas escadas e deixaram o condomínio com uma bolsa. Como quadrilha descobriu brechas na segurança e furtou apartamentos de luxo em 8 estados. Reprodução/TV Globo Os prejuízos nesses roubos passaram de meio milhão de reais. Cada integrante tinha uma função A investigação apontou que cada integrante da quadrilha tinha uma função definida. Segundo a polícia, Vinícius era um dos principais executores e era especializado em arrombar cofres. Outros integrantes ajudavam a entrar nos prédios. Também havia os chamados "olheiros", que ficavam do lado de fora. Segundo um delegado de Goiás, outro integrante era responsável por financiar as viagens. O dinheiro era usado para pagar passagens de ônibus, alimentação, combustível e pedágios. Um dos envolvidos também já havia aparecido em uma tentativa de furto ao apartamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em Alagoas, em 2024. Segundo a polícia, Alberto Bernardo Alves já estava no local. Polícia aponta 'arquiteto' como chefe do grupo A investigação começou em Goiânia. Depois dos roubos, a polícia identificou os envolvidos, mas ainda faltava chegar ao homem apontado como chefe do grupo. Seis meses depois, os investigadores chegaram até Victor Gabriel da Silva, conhecido como Fubeta, apontado como o "arquiteto" da quadrilha. Segundo a investigação, ele também viajava com frequência, mas para destinos turísticos. Ele chegou a aparecer em imagens em Fernando de Noronha e na República Dominicana. Em um áudio, Fubeta afirma: "No crime, tudo que nós temos é nosso nome. Dinheiro é consequência". Em outra gravação, segundo a polícia, o financiador Alberto conversa com Fubeta sobre a venda de joias roubadas. Um delegado explicou que, depois dos crimes, os integrantes se separavam e também dividiam os produtos roubados. Dessa forma, segundo ele, caso fossem presos, não perderiam tudo o que havia sido furtado. Prisões Policiais do Rio Grande do Sul e de São Paulo prenderam Vinícius quando ele saía de casa, na Zona Leste de São Paulo. A Defensoria Pública, responsável pela defesa de Vinícius, informou que só vai se manifestar no processo. Alberto está sob custódia em um hospital da capital. Questionado sobre a investigação, ele não quis falar. Em nota, a defesa de Alberto disse que vai se manifestar nos autos e que os fatos serão esclarecidos. As polícias de São Paulo e Goiás também prenderam Fubeta. Segundo um delegado de Goiás, ele é ligado a uma facção criminosa paulista. A reportagem não localizou os advogados de Fubeta, de Renata, que está foragida, e dos demais suspeitos que aparecem nas imagens. Qual é o alerta para os condomínios? Para um delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, os moradores precisam compreender que procedimentos de segurança podem tornar a entrada mais lenta, mas são importantes para confirmar a identidade de quem tenta acessar o condomínio. Ele afirma que é necessário verificar se a pessoa é realmente quem diz ser e se tem autorização de algum morador para entrar. Outro delegado, de Goiás, destacou que a segurança não depende apenas de fechaduras, câmeras e outros equipamentos. "Segurança não é só você investir em uma boa fechadura para a porta do seu apartamento. Investir milhares de reais em tecnologia, em câmeras. A segurança também é investimento na preparação de pessoas, em procedimentos e em atenção", afirmou. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/08/30/pela-porta-da-frente-como-quadrilha-descobriu-brechas-na-seguranca-e-furtou-apartamentos-de-luxo-em-8-estados.ghtml


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