Honda confirma previsão de prejuízo de US$ 3,6 bilhões; CEO diz que demanda por elétricos caiu
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Toshihiro Mibe, CEO da Honda Motors, fala dos resultados da empresa em Tóquio
REUTERS/Kim Kyung-Hoon
A Honda confirmou nesta quinta-feira (14) que terá seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como uma empresa de capital aberto, atingida por até US$15,7 bilhões (R$ 77,1 bilhões) em custos de reestruturação em seu negócio de veículos elétricos.
Sob o comando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Washington encerrou o apoio aos veículos elétricos, forçando montadoras como Ford e Stellantis a repensarem estratégias e registrarem baixas contábeis bilionárias.
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A segunda maior montadora do Japão disse nesta quinta-feira que espera um impacto de US$15,7 bilhões (R$ 77,1 bilhões) com o cancelamento de três modelos de veículos elétricos planejados para produção nos EUA.
Embora os analistas esperassem mais perdas relacionadas a veículos elétricos na Honda, o tamanho da baixa contábil anunciado nesta quinta-feira foi uma surpresa, disse Julie Boote, analista de automóveis da Pelham Smithers Associates.
Honda tem prejuízo de US$ 3,6 bilhões; presidente corta 30% do próprio salário
"A principal surpresa foi o fato do plano de produção dos EUA ter sido cancelado, em vez de apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no ambiente do mercado", disse Boote.
O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, disse a jornalistas que a demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando "muito difícil" manter a lucratividade.
A Honda também está reduzindo o valor de seus negócios na China, onde tem lutado para competir com modelos oferecidos por rivais como a BYD.
Executivos cortam salários
A Honda disse que espera ter prejuízo de até US$3,6 bilhões (R$ 17,6 bilhões) no ano fiscal que termina no final de março, em comparação com a previsão anterior de lucro. O resultado negativo será o primeiro prejuízo anual da companhia desde que foi listada no mercado de ações em 1957, disse um porta-voz da montadora.
Sob pressão dos rivais chineses na Ásia e em outros lugares, as montadoras japonesas têm se concentrado cada vez mais na Índia, um mercado onde (como nos EUA) as montadoras chinesas estão efetivamente excluídas.
Toshihiro Mibe, CEO da Honda, e o vice-presidente executido da Honda, Noriya Kaihara, falam em Tóquio sobre os resultados da empresa
REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Mibe e o vice-presidente executivo da Honda, Noriya Kaihara, renunciarão voluntariamente ao equivalente a 30% de sua remuneração por três meses, enquanto alguns outros executivos abrirão mão de 20%, informou a Honda.
A empresa planeja anunciar uma estratégia de negócios renovada de médio a longo prazos no próximo ano fiscal.
Perdas bilionárias
Várias montadoras globais registraram baixas contábeis dolorosas ao reduzirem suas ambições sobre veículos elétricos nos últimos meses.
A perda na Honda eleva o total do setor para cerca de US$ 67 bilhões. A General Motors alertou para encargos de US$7,6 bilhões, enquanto a Stellantis sinalizou US$ 25 bilhões e a Ford US$ 19 bilhões.
Além de seus principais mercados, Japão e EUA, a Honda disse que fortalecerá sua linha de modelos e a competitividade de custos na Índia, onde vê espaço para expansão.