Congo registra 71 novos casos de ebola em 24h; governo vê transmissão comunitária e mortes passam de 80
05/06/2026
(Foto: Reprodução) Entenda o Ebola em 7 pontos
A República Democrática do Congo (RDC) informou nesta sexta-feira (5) que o número de casos confirmados de ebola subiu para 452, após a confirmação de 71 novos casos nas últimas 24 horas. Segundo dados do governo, o surto já provocou 82 mortes.
Em comunicado, as autoridades afirmaram que os novos registros indicam uma transmissão comunitária "rápida e contínua" da doença, sinalizando que o vírus segue se espalhando entre a população.
O avanço ocorre no momento em que organismos internacionais intensificam os esforços para conter o surto.
Também nesta sexta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) lançaram um plano conjunto de US$ 518 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) para combater a epidemia entre junho e novembro.
"O plano concentra-se em áreas-chave: coordenação de emergência, vigilância, testes laboratoriais, prevenção e controle de infecções, assistência clínica e mobilização comunitária", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O surto foi declarado oficialmente em 15 de maio no nordeste do Congo, mas autoridades sanitárias acreditam que a rara variante Bundibugyo do vírus ebola circulava sem detecção havia algum tempo.
Epicentro em Ituri
A doença já atingiu três províncias congolesas. O epicentro está em Ituri, responsável por cerca de 90% dos casos confirmados e 76% das mortes, segundo o Africa CDC.
O vírus também ultrapassou as fronteiras do país. Em Uganda, vizinho do Congo, foram confirmados 16 casos, incluindo uma morte.
De acordo com o Africa CDC, o atual surto já supera, em número de casos, os dois episódios anteriores causados pela variante Bundibugyo, registrados em 2007 e 2012.
Profissionais de saúde vestem equipamentos de proteção individual (EPI) no Centro Médico Evangélico, uma das instalações na linha de frente da resposta ao surto de Ebola, na província de Ituri, na República Democrática do Congo.
Gradel Muyisa Mumbere/Reuters
Falta de vacina aprovada preocupa autoridades
Um dos principais desafios para o controle da doença é a ausência de uma vacina aprovada especificamente para a cepa Bundibugyo.
Especialistas avaliam a possibilidade de uso emergencial da vacina Ervebo, da farmacêutica Merck, atualmente aprovada contra a variante Zaire do ebola e que apresentou sinais de proteção cruzada em estudos com animais. A decisão caberá aos governos do Congo e de Uganda.
Enquanto isso, a aliança internacional de vacinação Gavi informou que mantém 2 mil doses de vacinas contra ebola no Congo caso autoridades sanitárias decidam iniciar testes ou campanhas emergenciais.
Nas últimas semanas, a OMS alertou para dificuldades de financiamento na resposta ao surto. Segundo Anne Ancia, representante da organização no Congo, a redução global de recursos para saúde afetou diretamente as operações no país.
Ela citou, entre os fatores, a saída oficial dos Estados Unidos da OMS em janeiro e cortes em programas internacionais promovidos pelo governo do presidente Donald Trump.
Dados do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) mostram que apenas 34% dos US$ 1,4 bilhão solicitados para ações humanitárias no Congo neste ano foram recebidos até agora.
Vacinas e testes em desenvolvimento
Diante do avanço da doença, a farmacêutica Moderna anunciou nesta semana uma parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) para desenvolver uma vacina contra a variante Bundibugyo. A Cepi informou que poderá investir até US$ 50 milhões nas fases iniciais do projeto.
Também nas últimas semanas, a BioFire Defense, subsidiária da francesa bioMérieux, anunciou a ampliação da produção de um teste capaz de detectar diferentes variantes do vírus ebola, incluindo a Bundibugyo.
Apesar do aumento dos casos confirmados, a OMS informou nesta semana que o número de casos suspeitos monitorados na África Central caiu após centenas de notificações serem descartadas.
Segundo a organização, muitos pacientes investigados acabaram diagnosticados com outras doenças ou apresentavam quadros de febre sem relação com o ebola.