Caso PM Gisele: CNJ investiga desembargador que foi ao apartamento no dia do crime e falou com tenente-coronel

  • 24/03/2026
(Foto: Reprodução)
Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves A Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília, abriu na semana passada um pedido de providências para investigar se o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), violou o Código de Ética da Magistratura ao visitar a cena do crime do caso da policial militar Gisele Alves (saiba mais abaixo). Cogan esteve e falou com o tenente-coronel Geraldo Neto no apartamento onde a soldado Gisele foi encontrada baleada, em 18 de fevereiro, no Brás, região central de São Paulo. Ela morreu depois no hospital. O magistrado alegou que foi lá como amigo do oficial e não na função de desembargador. Neto e Gisele eram casados e viviam no imóvel. A morte, inicialmente tratada como suicídio, passou a ser investigada como assassinato após a Polícia Civil concluir que o oficial matou a esposa. Segundo as apurações, ela queria se divorciar, o que ele não aceitava. "A Corregedoria Nacional de Justiça confirma que foi aberto na quinta-feira (19) Pedido de Providências junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para obter mais informações quanto à conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan no caso noticiado. O caso tramita sob sigilo no CNJ", informa nota divulgada pelo órgão nesta terça-feira (24) ao g1. Em nota enviada anteriormente, o Tribunal de Justiça, por meio de sua Diretoria de Comunicação, informou "que o desembargador foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária". "Fui chamado como amigo, após os fatos, pelo Cel., anunciando ocorrência do suicídio. Eventuais esclarecimentos, se necessários, serão dados à Polícia Judiciária", disse o desembargador. O g1 acionou o TJ novamente nesta terça e o tribunal respondeu que "não se posiciona sobre questões que tramitam ou que possam vir a tramitar em outros órgãos, no caso o CNJ." O tribunal ainda não respondeu se o desembargador quer se posicionar novamente nesta terça.Deputada acionou CNJ Imagens da body cam de PM mostram chegada de desembargador a apartamento após crime Reprodução/Inquérito policial O CNJ abriu a investigação após ter sido acionado pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), que no dia 17 de março, solicitou que o órgão apurasse a conduta do desembargador, alegando possível violação do Código de Ética da Magistratura, que exige imparcialidade e comportamento digno mesmo na vida privada. Segundo a parlamentar, a ida do desembargador ao local do crime, ainda que sob a justificativa de amizade, pode passar à sociedade a impressão de interferência no caso, “comprometendo a percepção de independência do Judiciário”. Na avaliação dela, a conduta viola o Código de Ética da Magistratura, especialmente por se tratar de um feminicídio de grande repercussão, e acaba “gerando dúvidas sobre a independência e imparcialidade do Poder Judiciário”, além de afrontar princípios de decoro que exigem comportamento irrepreensível também na vida privada. Diante disso, a parlamentar solicitou ao CNJ a apuração do caso, pedindo a abertura de procedimento para eventual aplicação de sanções cabíveis. Desembargador diz ser amigo de oficial Caso PM Gisele: laudo indica que ela não estava grávida O tenente-coronel alegou que Gisele se matou com um tiro na cabeça após ele dizer que iria se separar. Mas a Justiça não entendeu assim e decretou a prisão preventiva de Neto como réu por feminicídio (assassinato de mulher por razões de gênero, como violência doméstica ou familiar, ou menosprezo à condição feminina) e fraude processual (suspeito de alterar a cena do crime para simular suicídio). Ele foi preso um mês depois do crime. O oficial e o desembargador afirmaram às autoridades que mantêm uma relação de "amigos". De acordo com a investigação, Neto telefonou para Cogan após ter acionado a Polícia Militar (PM) e o Corpo de Bombeiros. Chamado pelo amigo, magistrado foi até o prédio e entrou no apartamento com ele. Cogan afirmou que esteve no local apenas em caráter pessoal, sem exercer qualquer função institucional, e que ouviu do oficial a versão de suicídio. Imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência mostram que o desembargador permaneceu cerca de 12 minutos no local. Nos registros, Cogan demonstra desconforto e tenta convencer o tenente-coronel a deixar o lugar. A presença do desembargador levantou questionamentos, mas a Corregedoria da Polícia Militar informou que, até o momento, não há indícios de interferência dele nos procedimentos. Oficial segue preso Tenente-coronel é preso; provas da polícia sobre a morte da PM Gisele Alves vão contra versão apresentada por ele Neto é o primeiro oficial da Polícia Militar paulista preso por feminicídio desde 2015, quando a lei do feminicídio entrou em vigor. Ele está detido desde 18 de março no presídio militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Laudos periciais, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público (MP), indicam que o disparo não foi feito pela vítima. A conclusão é que o oficial segurou a cabeça da esposa antes do tiro e, em seguida, tentou modificar o cenário para sustentar a versão inicial. Mensagens encontradas no celular do tenente-coronel reforçam, segundo a investigação, um histórico de violência doméstica. Nos conteúdos, ele aparece controlando a vida financeira da vítima, fazendo exigências de cunho sexual e tentando intimidá-la. Em alguns trechos, se descreve como “macho alfa” e diz que a mulher deveria agir como “fêmea beta”. Se condenado, ele poderá ser obrigado a pagar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. O tenente-coronel Geraldo Neto, preso por suspeita da morte da esposa Gisele Alves Santana. Reprodução/Redes Sociais

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/24/caso-pm-gisele-cnj-investiga-desembargador-que-foi-ao-apartamento-no-dia-do-crime-e-falou-com-tenente-coronel.ghtml


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